ARTIGOS

Mais Crédito, Mais Moradia

06 de abril de 2026

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Durante décadas, o acesso à casa própria no Brasil foi estruturado a partir de uma lógica que nem sempre acompanhou a realidade das famílias. As políticas públicas avançaram de forma importante para as camadas de menor renda, enquanto o crédito imobiliário tradicional se consolidou como alternativa para quem já estava plenamente inserido no sistema financeiro. Entre esses dois extremos, porém, consolidou-se um vazio: famílias com renda estável, mas sem instrumentos adequados para viabilizar a compra.

Esse desalinhamento ajuda a entender por que o país ainda registra um déficit habitacional superior a 5 milhões de moradias, segundo a Fundação João Pinheiro. Não se trata apenas de falta de renda, mas de acesso.

A recente atualização do Minha Casa, Minha Vida nos últimos dias sinaliza uma tentativa mais precisa de enfrentar esse ponto. A Faixa 4 passou a contemplar famílias com renda de até R$ 13 mil, com imóveis financiáveis de até R$ 600 mil, ampliando o alcance do programa e incorporando uma parcela relevante da classe média que permanecia à margem das melhores condições de crédito.

O efeito tende a ser imediato na atividade econômica. A construção civil responde por cerca de 6% do PIB e possui forte capacidade de multiplicação: cada R$ 1 investido pode gerar até R$ 2,30 na economia, segundo a CBIC. Com mais de 2,5 milhões de empregos formais, o setor transforma crédito em obra, renda e consumo em um curto intervalo de tempo.

Mas o aspecto mais relevante está na natureza dessa demanda. Diferentemente de ciclos marcados por especulação, estamos falando de famílias que compram para morar, com decisões ancoradas em planejamento. Isso confere mais estabilidade ao mercado e tende a orientar projetos com maior aderência ao uso real.

Esse ajuste já começa a aparecer no desenho de cidades como São José do Rio Preto, com produtos mais alinhados ao cotidiano da classe média. O Alameda dos Ipês se insere nesse contexto, unindo diferenciais importantes, boa localização e com o financiamento deixando de ser um obstáculo para estruturar o próprio conceito do produto.

Nesse cenário, a expansão das cidades tende a ocorrer de forma mais estruturada. Projetos passam a dialogar melhor com o entorno, a infraestrutura acompanha o ritmo de ocupação e o desenvolvimento urbano deixa de ser reativo. É a partir dessa lógica que se constroem cidades mais equilibradas, capazes de crescer com qualidade, eficiência e maior aderência à vida de quem, de fato, vive nelas.

**Bruno Malvezi – CEO do Grupo Impper**

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