ARTIGOS

A volta para o Centro

01 de outubro de 2024

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Rio Preto vem fazendo sua parte, com investimentos na revitalização de prédios importantes

Resolver os principais desafios urbanos, melhorar a qualidade de vida no âmbito mais amplo, preservar os patrimônios culturais... O que estaria por trás deste fenômeno observado quase globalmente, de revitalização dos centros urbanos? Tendência que pode ser notada também em cidades do interior de São Paulo, como São José do Rio Preto.

Como consequência, essa recuperação das áreas centrais das cidades começa a gerar, para o mercado imobiliário, a possibilidade de se criar um movimento contrário ao comum e natural para municípios que estão em franco desenvolvimento, ou seja, de expansão de dentro para fora, para as zonas mais periféricas. Com esse resgate, é viável pensar em um movimento que seja de fora para dentro, com as pessoas tendo a possibilidade novamente de ocupar e morar no centro. E isso traz uma série de benefícios, especialmente para a mobilidade urbana e para a própria qualidade de vida dessa população.

Em uma pesquisa realizada recentemente, mapeamos a cidade de Rio Preto em dez regiões para entender onde estaria a maior demanda imobiliária: o centro apareceu como principal ponto onde a necessidade de moradia não encontrava oferta suficiente.

A principal razão para isso parte da necessidade das pessoas em usufruir melhor de seu bem mais escasso: o tempo. Considerando que a mesma pesquisa revelou ainda que 55% da mão de obra ocupada da cidade está localizada no centro - que é onde se concentra também o maior número de CNPJs abertos, poder morar mais próximo do trabalho aparece como uma eficiente maneira de poupar esse recurso valioso que é perdido diariamente em deslocamentos lentos e estressantes, que se tornam cada dia mais comuns à realidade do rio-pretense, à medida que a cidade cresce.

Um exemplo claro de cenário ideal é o conceito da “cidade de 15 minutos”, desenvolvido pelo pesquisador franco-colombiano Carlos Moreno. A ideia de sua metodologia é que os habitantes consigam acessar seis necessidades vitais - viver, trabalhar, educar, curar, descansar e abastecer - sem usar mais do que 15 minutos com deslocamentos.

A partir do momento que essa tendência passa a ser entendida por construtoras e incorporadoras, o centro volta aos holofotes e acende também no poder público o sinal de alerta sobre a importância de dar sustentação a esse processo de revitalização.

Neste sentido, Rio Preto vem fazendo sua parte, com investimentos focados na revitalização de prédios importantes do centro histórico, como o Mercadão, o Calçadão e a Rodoviária. Preservar o patrimônio cultural da cidade e minimizar os desafios urbanos e melhorar a qualidade de vida da população passam por essa conscientização coletiva entre poder público e privado.

Bruno Malvezi, CEO do Grupo Impper

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